quarta-feira, 23 de janeiro de 2008






O menino Léo


Os olhos se abrem, e de cara o teto, branco, pálido, seu rosto e o teto, as marcas da fronha no rosto. A boca se abre descontroladamente num bocejo, sem som, sem voz, sem vontade de levantar.
Os cabelos são como arames farpados, ouriçado, os pés tocam o chão, agora não tem mais como voltar, olhar para trás nem pensar, a cama tem vida própria e pode agarrá-lo.
Seu destino agora é um só, aquela mijada, olha no espelho, e não gosta do que vê, urgh !
Escova a arcada, um, dois, três minutos, penteia o cabelo, escova o cabelo, puxa a cabelo...
Agora sim, nada que um pote de gel não resolva.
As vestes já estão lá na cadeira, seu leite com chocolate está pronto, num gole só bebe tudo.
Arrasta seu cobertor até a sala, liga a TV e deita no sofá, até o controle remoto pesa, tamanha é sua preguiça matinal. Assiste a vários desenhos, e parece que sua energia está vigorada.
O sol brilha e a rua quer um abraço, a bicicleta espera na garagem, como um cavalo pronto para montaria.
E a dona preguiça sai correndo sentido oposto. Uhuuu !
Seu cavalo, azul metálico parece indomável...
Indomável também é sua imaginação, que sobe e desce a Rua São Luiz do Paraitinga, com seus amigos inseparáveis, às vezes são caçadores em busca de um terrível Tiranossauro Rex, e outras com suas espadas em punho são cavaleiros.
Quando o dia acaba, o sol se põe, as forças são mínimas, o banho desencadeia um choro.
No jantar os assuntos do dia são atropelados entre uma garfada e outra, mas o pó chinês do sono faz as pálpebras pesarem uma tonelada.
O “boa noite” sai quase inaudível, de volta para o seu quarto, a cama que tem vida mesmo chama:
- Vem dormir Léo.
Ela tem o dom de hipnotizá-lo.